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A qualidade do ar em tempo de pandemia

Há 3 meses quase nenhum de nós sabia da existência do SARS-Cov-2. Hoje, somos arrastados para uma realidade que não sabíamos possível, enquanto um tsunami que começou a formar-se na China no final de 2019 varre o planeta. Ao último dia de Março a linha ascendente dos gráficos ameaça ultrapassar rapidamente 1 milhão de infetados, numa contagem ainda sem fim à vista, enquanto o vírus testa a resiliência mesmo dos sistemas de saúde mais bem equipados do planeta.

À medida que o número de infetados por COVID-19 vai subindo em cada região, as cidades silenciam-se e os países afetados vão interrompendo a sua atividade à semelhança do que aconteceu na China. No país mais poluente do planeta as fábricas fecharam, a construção paralisou, baixando a procura de aço e outros materiais, os camiões imobilizaram e as refinarias debitaram menores quantidades de combustível. Os aviões recolheram aos aeroportos e menos 13.000 cruzaram os céus da China a cada dia. A atividade industrial reduziu entre 15-40% nos últimos três meses, em comparação com o ano anterior.

 

Há 3 meses quase nenhum de nós sabia da existência do SARS-Cov-2. Hoje, somos arrastados para uma realidade que não sabíamos possível, enquanto um tsunami que começou a formar-se na China no final de 2019 varre o planeta.

 

A Europa vai seguindo o mesmo percurso enquanto o trânsito nas autoestradas quase desaparece à medida que a pandemia força as pessoas ao distanciamento social. As escolas fecham e o trabalho, quando é possível, continua a partir de casa. As ruas esvaziam-se e a cidade emudece enquanto as pessoas se recolhem e colocam a vida exterior em suspenso.

Não passaram muitos dias até surgirem as primeiras notícias sobre a drástica redução da poluição do ar. Na China, as emissões de carbono são contabilizadas com uma redução de 25% nas últimas semanas e a Agência Espacial Europeia divulga imagens recolhidas pelo satélite Copernicus Sentinel-5 que ilustram a diminuição das concentrações de dióxido de nitrogénio sobre Milão, Paris, Madrid ou Lisboa.

 

 

Fonte: Agência Espacial Europeia, As concentrações de dióxido de nitrogénio sobre a Península Ibérica. http://www.esa.int/ESA_Multimedia/Images/2020/03/Nitrogen_dioxide_concentrations_over_Spain#.Xor7qg5PGEc.link

A BBC noticiava ontem (31 de Março) reduções de 50-60% no tráfego automóvel. Publica a informação disponibilizada pelo Centro Nacional de Ciência Atmosférica (NCAS) cujos gráficos comparam a poluição do ar e revelam uma diminuição progressiva dos níveis de dióxido de nitrogénio (NO2) e de partículas (PM2.5) à medida que o volume de tráfego vai baixando. Os dados continuam a ser agregados e a NCAS quer saber se outros poluentes seguirão a mesma trajetória descendente seguida pelo NO2 e PM2.5, como é o caso do ozono ou Compostos Orgânicos Voláteis (COV’s).

Sobre áreas metropolitanas como Los Angeles, Seattle, Nova York, Chicago ou Atlanta, os satélites exprimem um declínio semelhante da poluição atmosférica relacionada com a circulação de camiões. À medida que as empresas e as escolas fecham, acabam os congestionamentos no trânsito: baixa a poluição, reduz-se a concentração de partículas finas, de dióxido de nitrogénio e dióxido de carbono.

Para a saúde das pessoas, porém, o alívio da poluição terá pouco significado imediato. O “mal está feito” para os pacientes do COVID-19, como afirma a EPHA – Aliança Europeia de Saúde Pública. A poluição atmosférica crónica, que é uma das mais fortes causas da hipertensão, diabetes e doenças pulmonares, compromete seriamente a capacidade para o organismo lutar contra as infeções respiratórias.

 

Para a saúde das pessoas, porém, o alívio da poluição terá pouco significado imediato. O “mal está feito” para os pacientes do COVID-19.

 

A poluição é a maior ameaça ambiental para a saúde, responsável por 400 mil mortes prematuras a cada ano. Os problemas de saúde contraidos contribuem agora para causar maior mortalidade entre doentes infetados pela COVID-19. Respirar durante décadas ar poluído pode deixar marcas ideléveis na saúde e distúrbios a nível cerebral, intestinal e renal, além de doenças cardiovasculares, do sistema nervoso central e reprodutivo. São problemas que este alívio temporário dos níveis de poluição não conseguirá resolver.

Uma leitura da realidade

O que os mapas da poluição nos oferecem em primeiro lugar é uma demonstração clara do grau de dependência da economia moderna em relação aos combustíveis fósseis. Sempre que a atividade industrial entra em declínio, seja durante uma recessão ou uma pandemia, os níveis de poluição afundam-se. A história mostra que logo que as cidades e países consigam ultrapassar o momento atual, como parece estar a acontecer na China, a poluição tenderá a regressar aos níveis anteriores.

O que os mapas da poluição nos oferecem em primeiro lugar é uma demonstração clara do grau de dependência da economia moderna em relação aos combustíveis fósseis.

 

Os momentos disruptivos na economia como o que atualmente atravessamos à escala global e a agressividade dos custos humanos tornará provavelmente mais difíceis os esforços contra as alterações climáticas, pelo menos no imediato. Tal como em momentos anteriores, a China tenderá a compensar as perdas motivadas pela paragem temporária com a aceleração da produção, provocando o que o conselheiro da Greenpeace para a Ásia identificou como “poluição de retaliação”. A luta para alcançar as metas da economia servirá de justificação para o relaxamento dos esforços de redução da dependência do carvão.

Por outro lado, as perdas astronómicas de companhias aéreas motivadas pelo declínio das viagens aumentarão o desejo de retoma com maior agressividade comercial. Tome-se como exemplo a KLM que esta semana solicitou já o adiamento das políticas de proteção ambiental e suspensão dos impostos que penalizam as emissões previstos para 2021.

Um tubo de ensaio para experimentar o futuro

A pandemia veio colocar perante nós a possibilidade de espreitar para o futuro e ter uma clara noção das reais consequências de fazer desaparecer das estradas os carros em que agora circulamos, não as pessoas. Este inesperado tubo de ensaio poderá ajudar a estabelecer metas realistas e trazer maior lucidez na luta por um ar mais puro, enquanto se procura abrandar a dependência de combustíveis fósseis.

 

A pandemia veio colocar perante nós a possibilidade de espreitar para o futuro e ter uma clara noção das reais consequências de fazer desaparecer das estradas os carros em que agora circulamos.

 

A poluição, tal como o SARS-Cov-2, não reconhece fronteiras e trabalhar para um ar menos poluído depende dos empenhos de toda a sociedade – abrangendo os mais altos níveis políticos. A bem de todos, continuam a ser válidas em todas as frentes os princípios da Organização Mundial de Saúde para a Qualidade do Ar.

Viver num ambiente saudável tem inicio dentro dos espaços que habitamos, onde está o centro das nossas decisões. É preciso que famílias recorram a combustíveis limpos para cozinhar e aquecer; contruir com materiais não contaminantes. Nas escolas o saneamento e higiene devem criar ambientes limpos, promover a boa nutrição e reduzir ruído e poluição; a saúde pública deve garantir o abastecimento de água potável, saneamento, higiene e fornecimento energético sem cortes; o planeamento urbano deve contemplar áreas verdes e espaços seguros para pedestres e ciclistas; reduzir emissões e expandir o transporte público; a agricultura reduzir o uso de pesticidas e químicos nocivos; o setor da saúde monitorizar resultados e educar a população para a saúde ambiental e a importância da prevenção.

O empenho da Ocram como empresa encontram eco nestes esforços conjuntos. Procura entender o mundo, responder de forma direcionada e lutar do lado certo das trincheiras. A equipa une agora esforços para entregar dispositivos que vão equipar novos espaços criados para tratar pacientes infetados pela COVID-19. São sistemas móveis que descontaminam e purificam o ar para pacientes e profissionais de saúde. Sabemos que este momento vai passar. Mas continuaremos comprometidos com a criação de produtos com base na sustentabilidade ambiental para melhorar a qualidade do ar interior, aumentar a saúde das pessoas e antecipar o mais possível um futuro onde o ar seja mais puro.

 

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