Skip links

Criar novos produtos em tempo de crise

Passaram várias semanas desde o inicio da pandemia que veio colocar em causa todas as conexões físicas entre as pessoas e lançar uma tal disrupção às organizações que, trabalhar a partir de casa ou, quando isso não é possível, readequar a operação com medidas sanitárias é agora considerada a margem mínima de perturbação que podemos sentir.

Sim, o coronavírus é ainda mais exigente; particularmente desafiante por não sabermos quanto tempo esta disrupção poderá durar. A ausência de uma solução no horizonte convoca alterações mais profundas e solicita soluções de maior espetro; exige que pessoas e empresas se elevem à altura do desafio. A criatividade poderá ser a grande responsável pela maior ou menor imunidade que cada empresa venha a ter às consequências da COVID-19 e ditará, junto com a resiliência, se sairá desta crise mais forte do que entrou.

 

Com a abordagem certa, as crises podem trazer também grandes oportunidades para as organizações que saibam reinventar-se e criar novos valores com um impacto social positivo.

Com a abordagem certa, as crises podem trazer também grandes oportunidades para as organizações que saibam reinventar-se e criar novos valores com um impacto social positivo. Nos departamentos de Investigação & Desenvolvimento, em máxima aceleração, considera-se agora quanto tempo é necessário para desenhar, construir, testar e recolher dados de eficácia antes de um novo lançamento. Porque a curto prazo, a esperança de uma organização recai sobre o conhecimento e a tecnologia que existe dentro de portas e que tenha potencial para ajudar e suprir carências criadas pelo atual contexto e lutar pela sobrevivência de pessoas e organizações. Este é o caso da OCRAM.

 

Estar à frente do seu tempo

Durante a última década a OCRAM tem colocado no mercado AVAC a sua tecnologia patenteada para a purificação do ar interior, o Nano Purifying System® – NPS®. Ainda que haja uma preocupação clara com a Qualidade do Ar Interior (QAI) nas últimas décadas, legitimada por 90% do tempo que as pessoas passam em espaços fechados, são ainda escassas as normas de proteção. O impacto no estado geral de saúde, especialmente para crianças, idosos e outros grupos vulneráveis e a afetação da população mundial como um todo, levou a Organização Mundial de Saúde[1] a uma definição de linhas para da QAI, com orientações quanto à prevenção da poluição química e biológica do ar. A recetividade do mercado tem, todavia, permanecido circunscrita ao espaço hospitalar ou espaços interiores sensíveis como, por exemplo, salas limpas.  Mas passados apenas alguns dias do inicio da pandemia, a realidade tratou de tornar óbvia a relevância de tecnologias destinadas à purificação do ar com a capacidade de eliminar as possibilidades de contaminação cruzada, como o NPS®.

No momento inicial a empresa procurou dar um novo rosto à tecnologia desenhada para a integração em condutas de ventilação. A necessidade de criar do dia para a noite novos espaços de tratamento para acolher pacientes da COVID-19, obriga-nos a reconsiderar o tempo. Há que avançar com firmeza numa realidade que é nova, pondo em prática a inteligência emocional necessária para acomodar as recentes alterações radicais que a pandemia veio impor à cultura profissional: as prioridades que oscilam entre o trabalho e as preocupações familiares; os filhos na escola a partir de casa ou a angústia pela ameaça à saúde das famílias. Há ainda um conjunto de colaboradores para quem é impossível trabalhar a partir de casa e que precisam de um ambiente de trabalho seguro e limpo, com equipamentos de proteção individual. De permeio aos hábitos de trabalho recentemente adquiridos, desenvolver um novo produto não exige um novo discurso do método, mas carece de força, resiliência e liderança.

A quem lidera, a atual crise trouxe a necessidade de tomar milhares de decisões sem poder contar com toda a informação em cima da mesa e com pouco tempo. Equacionar cenários e planear em cima do joelho para ver nascer algo novo rapidamente, porque o tempo para chegar ao mercado é agora.

Somos uma marca com um propósito claro e nada alimenta mais a confiança do que saber que estamos definitivamente do lado da solução.

Para Marco Lopes, CEO da empresa, este é um momento único de autenticidade no propósito da nossa operação. A visão de uma equipa que trabalha e aplica o seu talento para criar produtos que purificam o ar e melhoram a qualidade de vida das pessoas vem, com a atual crise e os novos produtos, confirmar que podemos ir mais longe, fazer a diferença e ajudar a linha da frente da luta para salvar vidas. Somos uma marca com um propósito claro e nada alimenta mais a confiança do que saber que estamos definitivamente do lado da solução.

O primeiro passo: moldar o produto e o mercado

O setor de desenvolvimento é a face da concentração para dar estrutura, corpo e cérebro ao desenho inicial. Das mãos do Telmo Oliveira sai o primeiro esboço em 3D, como resultado de todos os inputs dos departamentos envolvidos. Depois, diz, “rende-se o metal” às exigências do equipamento. Embora possa ter tanto de “desafiante, como de caótico” não se pode vacilar perante a expectativa. Ainda que com pequenas decisões tomadas em cima da mesa de trabalho, como declara Telmo Oliveira, do Departamento de Produção e desenhos 3D, a ideia toma forma e os desenhos ganham o seu equivalente real.

José Lopes, do departamento de Investigação e Desenvolvimento, descreve um processo de “idealização em conjunto, entre equipa de desenvolvimento e produção, fazendo nascer o que no papel faz sentido e que depois carece de aperfeiçoamentos na mão de quem manobra e produz”. A diferença faz-se nos detalhes e para isso “contribui a crítica dos colegas com anos de experiência e que nos leva a sentar, pensar e reformular” partes do trabalho.

Ultimam-se pormenores, aperta-se o último rebite, detalha-se a limpeza interior e exterior. Menos de uma semana se passou e a máquina que nasce de um conjunto articulado de cérebros e mãos está finalmente pronta para ajudar na luta contra um inimigo invisível. A equipa reúne-se com a proximidade possível em tempos de distanciamento e com a certeza do contributo inestimável de cada um.

Acreditar no que fazemos e no talento interno da organização junta-se à certeza de estarmos a fazer o melhor na resposta às atuais dificuldades.

São raras as vezes que a responsável pelo Business Development, Joana Lopes Mendes, não acompanha o produto até à sua instalação final. “Estar no local é imprescindível e ao lado do cliente para reforçar a confiança com um produto em perfeito funcionamento. Acreditar no que fazemos e no talento interno da organização junta-se à certeza de estarmos a fazer o melhor na resposta às atuais dificuldades. É muito motivador saber que levamos às empresas soluções que ajudam pessoas”.

Mas o primeiro equipamento a sair é também muito mais do que isso: é o ponto de partida que poderá abrir um novo segmento de mercado, dar forma a novos modelos de negócio e ditar como a empresa virá a organizar-se num futuro muito próximo.

Todos no mesmo barco

No processo de criação de novos produtos em tempo de pandemia há um conjunto de variáveis externas determinantes, como o fornecimento de matérias primas e componentes. Na EBM Portugal há simetrias difíceis de gerir. O diretor geral da subsidiária portuguesa da EBM, Nuno Pires, afirma que “temos o mundo todo no mesmo barco. Enquanto a crise de 2008/2009 afetou só alguns setores, aqui apanha toda a gente e até mesmo o supply chain”. E acrescenta: “O desafio é enorme, as nossas decisões agora são tomadas no que é essencial, ou seja, hospitais, utilities e comida. Quando sabemos que os nossos componentes são cruciais para fazer face a crise pandémica, temos que parar e decidir sobre o que é prioritário.”

Para o diretor da EBM, que fornece ventiladores à OCRAM, o tema do dia “não é preço, mas sim garantir a cadeia de fornecimento sem quebra. (…) Numa ação condicionada em várias frentes, luta-se com problemas sérios em que a logística tem de escolher em detrimento de um produto ou equipamento. A falta de aviões foi uma das primeiras condicionantes e, quando havia aviões, havia pilotos que se recusavam a viajar para a China”.

O tema do dia “não é preço, mas sim garantir a cadeia de fornecimento sem quebra. (…) Numa ação condicionada em várias frentes, luta-se com problemas sérios em que a logística tem de escolher em detrimento de um produto ou equipamento.

A adicionar a tudo isto, Nuno Pires refere as questões internas a ultrapassar, como a falta de hábito no teletrabalho que tem afetado a organização como um todo, especialmente os colegas na Alemanha. De resto, há uma enorme incerteza em tudo e por isso o tempo de resposta é às vezes “um grande nim” porque não se pode saltar etapas para não comprometer a qualidade do produto. Busca-se maior flexibilidade, empenho e disponibilidade, mas, diz, “dependemos de muitas respostas das quais não podemos prescindir”.

Para Nuno Pires, com o fim do estado de emergência seguir-se-á a inevitável promoção do mercado interno para combater a baixa no consumo, o aumento do desemprego e os casos de lay-off. Num mercado demasiado pequeno como o nosso, pergunta, “onde ficam as exportações? Vai ser nesta crise que muitas empresas vão ter que se reinventar e alterar o modelo de negócio”.

Escrever a sua própria narrativa

Entre os milhões de perturbações trazidas pela pandemia, também a prática regular nas estratégias da comunicação se alteram. Ter consciência da realidade, por muito distópica que ela possa parecer, informa a nossa interação com o ecossistema da organização.

Os dias iniciais do isolamento são marcados tanto pelo aumento da obsessão com desinfetante como pela necessidade de permanecer produtivos e alertas. Ainda que a obsessão com a higienização possa suavizar-se com o tempo, o mesmo não acontece com o desejo de permanecer saudável. E por isso mesmo, na comunicação sabemos que há uma grande oportunidade no quadrante dos equipamentos para a purificação do ar com enorme impacto social. A tecnologia patenteada da OCRAM comporta um valor associado em tempo de pandemia: contribui para reduzir as possibilidades de contaminação. Não é sempre que uma empresa conta com esta redução de tempo para o mercado pelas óbvias vantagens de um produto.

A tecnologia patenteada da OCRAM comporta um valor associado em tempo de pandemia: contribui para reduzir as possibilidades de contaminação. Não é sempre que uma empresa conta com esta redução de tempo para o mercado pelas óbvias vantagens de um produto.

Mas o desenvolvimento acelerado do NPS® Clinical Clean e Optimal, como viemos a chamá-lo, em processo acelerado para criar quartos de pressão negativa coloca também o desafio de fazer chegar ao máximo número de pessoas esta informação. Um estudo, conduzido pela Hammerkopf Consumer Survey[2] durante os primeiros dias de isolamento na Índia, concluiu que houve durante a primeira semana um aumento de 87% de presença nas redes sociais, tendo o Facebook, Twitter e o WhatsApp como as redes mais privilegiadas.

Durante as primeiras semanas os esforços do Departamento de Comunicação centraram-se em aumentar o número de mensagens das plataformas digitais da empresa e nas redes sociais. Com parte da equipa a trabalhar em casa e outra parte na produção, foram criadas mensagens específicas para os públicos internos, valorizando o esforço de todos numa fase complexa. Por outro lado, a promoção dos novos lançamentos e das parcerias.

A confiança é o ponto-chave do relacionamento com todo o ecossistema da OCRAM. Criar narrativas sobre o percurso da organização em tempo de crise é uma fonte de engajamento e confiança. Nunca a frase de Marshall McLuhan fez tanto sentido como nestes dias em que o meio é a mensagem que assegura o comprometimento da empresa em ultrapassar mais este desafio.

Escrever esta narrativa admite que muitas das alterações a que agora assistimos vieram para ficar. Os modelos que emergem podem vir a alterar para sempre as regras nos espaços de contacto social e cuidados de saúde. Nos escassos dois meses e meio que nos separam do inicio da pandemia em Portugal, a OCRAM foi capaz de desenvolver um dispositivo portátil para múltiplos espaços e responder aos novos desafios que o desconfinamento progressivo traz consigo a escolas e lares, centros de dia, consultórios, ginásios, cafetarias e restaurantes, spas e cabeleireiros, para mencionar apenas alguns.

Em paralelo há que criar suportes de marketing para apoiar o departamento comercial: brochuras, catálogos e publicidade cujo desenho e edição avançaram ainda antes do produto estar pronto. As linhas de comunicação sempre abertas com o departamento de desenvolvimento de produto permitem publicar com precisão e implementar de imediato as retificações de um produto que vai sendo “afinado”.

O trabalho no campo da comunicação é inesgotável. Nos últimos 18 meses trilhamos o caminho por onde hoje nos movemos: a definição de uma estratégia para a comunicação; o rebranding para a VLopes e OCRAM; a renovação dos sítios web para uma comunicação mais eficaz com todos os públicos da organização e a ativação de redes sociais. A customização dos nossos próprios meios de comunicação foi fundamental, junto com a identificação clara da nossa missão e visão; a coerência visual que temos vindo a implementar em todas as frentes de comunicação contribui para uma imagem positiva da marca OCRAM e do grupo VLopes. São o espelho  da evolução como organização, das suas consecuções e da autenticidade dos desenvolvimentos e sucessos da equipa Ocram.

Fiel à sua missão, a OCRAM partilha o conhecimento e a experiência das nossas equipas através dos produtos que melhoram a qualidade de vida e aumentem as possibilidades de sobrevivência das pessoas. À medida que o nosso próprio modelo de organização se redesenha, partilhamos também o percurso como parte da narrativa que todos escrevemos, enquanto aprendemos a viver numa nova realidade.

FONTES:

[1] http://www.euro.who.int/en/health-topics/environment-and-health/air-quality/policy/who-guidelines-for-indoor-air-quality

[2] https://www.businesstoday.in/technology/news/coronavirus-87-percent-increase-in-social-media-usage-amid-lockdown-indians-spend-4-hours-on-facebook-whatsapp/story/399571.html

“Charting the path to the next normal” – McKinsey & Company, obtido em https://www.mckinsey.com/featured-insights/coronavirus-leading-through-the-crisis/charting-the-path-to-the-next-normal

“Creating Tomorrow: recession planning for the design world” – WGSN Insider, obtido em https://www.wgsn.com/blogs/creating-tomorrow-recession-planning-for-the-design-world/

“How are companies responding to the coronavirus crisis?” – World Economic Forum, obtido em https://www.weforum.org/agenda/2020/03/how-are-companies-responding-to-the-coronavirus-crisis-d15bed6137/

“The heart of resilient leadership: Responding to COVID-19A guide for senior executives” – Deloitte Insights https://www2.deloitte.com/us/en/insights/economy/covid-19/heart-of-resilient-leadership-responding-to-covid-19.html

“Where next? 10 cross-industry trends that are accelerating by the covid-crisis.” – Trend Watching, obtido em https://info.trendwatching.com/10-trends-for-a-post-coronavirus-world

Will COVID-19 Lead to Accelerating Trends? – Citi GPS – Global Perspectives and Solutions, obtido em https://www.citivelocity.com/citigps/will-covid-19-lead-to-accelerating-trends/

Deixe um comentário

Name*

Website

Comentário